ECODICAS PARA CONDOMÍNIOS


É possível aplicar mudanças nas rotinas de condomínios residenciais ou comerciais em favor da sustentabilidade, mesmo em uma edificação que não tenha sido planejada dentro do conceito do greenbuilding.


Em primeiro lugar, qualquer medida que seja para reduzir o consumo de água e de energia no condomínio faz diferença no bolso dos condôminos. Não raro, a elevação das tarifas de água e energia no Brasil se dá acima da variação do índice de inflação. Portanto, ninguém deve ter medo de uma cota extra que eventualmente possa ser cobrada para a aquisição de algum equipamento ou a contratação de serviços que promovam o uso racional de água e energia, porque esse investimento é amortizado em dois ou três anos.


Vale a pena também recuperar os procedimentos que viraram regra após o apagão de 2001: substituição de lâmpadas quentes por fluorescentes, células fotoelétricas que promovem a iluminação instantânea apenas no caso de haver alguém no ambiente, introdução do sistema de rodízio nos elevadores evitando que todas as máquinas funcionem juntas mesmo quando não há demanda para isso. Quando for indispensável usar mais de um elevador, é preciso estudar a conveniência de instalar sistemas inteligentes que regulam o acesso às cabines, evitando o desperdício de energia causado por quem chama todos os elevadores ao mesmo tempo para pegar apenas o primeiro que chegar. Em grandes condomínios comerciais no Brasil, especialmente naqueles construídos mais recentemente, há softwares inteligentes que determinam qual cabine o usuário deverá acessar em função do andar desejado. A economia de energia - ou a redução de despesas - do condomínio com o uso desses equipamentos é enorme.


Em relação ao consumo de água, a instalação de hidrômetros individuais é medida importante para a redução do desperdício. Prédios antigos - ou novas edificações construídas em cidades onde a instalação desses equipamentos ainda não é obrigatória - podem requisitar orçamentos para saber quanto custa a medição individual de água. Quando pagamos exatamente por aquilo que consumimos, promove-se a justiça fiscal. Elimina-se aquela velha prática de dividir por igual a conta d’água, mesmo quando há diferenças importantes em relação ao número de moradores por apartamento ou medidas voluntárias de redução de desperdício. Quem consome menos deve pagar menos, e isso só é possível quando há hidrômetros individuais.


É importante também educar porteiros e demais funcionários do prédio para o consumo racional de água, principalmente na lavagem de carros e das áreas comuns do condomínio (calçadas, pisos, janelas etc.). Se a água usada nessas operações é potável, todo esforço nessa direção implica redução de despesas. Uma opção inteligente é o uso da água da chuva para fins não nobres. Se o prédio estiver em construção, a instalação de sistemas para esse fim será mais fácil e barata. Pode-se usar essa água para lavagem de pisos, rega de jardim, brigada de incêndio, lavagem de automóveis etc.


Outra providência importante é a reciclagem do óleo de fritura. Crescem em várias cidades brasileiras o número de serviços gratuitos de coleta desse óleo. Em alguns casos, são oferecidos produtos de limpeza em troca do óleo. A grande vantagem desse procedimento é evitar o entupimento das tubulações do prédio. Assim como a ingestão regular de frituras pode comprometer o funcionamento de nosso sistema circulatório pelo entupimento de veias e artérias, também as tubulações dos prédios podem colapsar e determinar despesas extras com obras de emergência.


A separação do lixo é das tarefas mais básicas no dia a dia de um condomínio. Porteiros e funcionários já têm a atribuição de coletar resíduos. A coleta seletiva determinará a necessidade de um espaço próprio para que os recicláveis fiquem temporariamente armazenados até que sejam levados.


Se o município não realiza a coleta domiciliar de recicláveis, contate o site do Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem) - www.cempre.org,br -  e descubra pelo Mapa da Reciclagem a relação completa de sucateiros, recicladores e cooperativas de catadores espalhados pelo Brasil. Usando o mapa, é possível acessar os dados cadastrais de quem se interessa comercialmente por recicláveis e faz contato direto.


Particularmente, acho justo que esse material seja doado ou, se a opção for pela venda, que os eventuais recursos obtidos pela venda dos recicláveis sejam divididos entre todos os funcionários envolvidos diretamente com a coleta seletiva no condomínio.


Se você mora ou trabalha em um prédio onde o sindico não valoriza nada do que estamos falando aqui, crie o seu movimento, busque aliados e quem pense assim, tome a dianteira!


Estive na semana passada no condomínio que foi premiado pelo Secovi (Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro), em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. São 1.200 pessoas que produzem dez toneladas de adubo orgânico de excelente qualidade por ano. As folhas secas que são varridas das ruas e que antes eram descartadas para aterros passaram a ser trituradas, levadas para composteiras e transformadas em um adubo de excelente qualidade para os jardins do próprio condomínio.


Fonte: TRIGUEIRO, André. In: Mundo Sustentável 2-Novos rumos para um planeta em crise. Cap. 3 Onde e como vivemos, pg. 125. Transmitido pela rádio CBN em maio de 2009.

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